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terça-feira, 14 de junho de 2011

Por Diogo Mosteias - 10º Act 

“… é na adversidade que melhor nos conhecemos. “



Nós conhecemo-nos como conhecemos a palma da nossa mão e achamos que já sabemos tudo sobre ela. Todas as suas curvas, todas as marcas, todos os caprichos e maneira de ser.

Quando somos pequenos descobrimos as mãos, por volta da mesma altura em que começamos a conhecer-nos. Entretanto a palma da nossa mão cresce e define-se com as suas marcas e feitios e também a nós nos acontece isso.

Até que um dia caímos e ferimo-nos na mão. A palma da mão ganha uma nova marca e nós também somos marcados com essa queda… A mão leva tempo a cicatrizar e descobre uma nova força, a regeneração, força essa que ela não conhecia. Assim é connosco. Quando a nossa vida dá um tombo, tendemos a pensar que é o fim, que não existe mais nada para além da dor, mas, tal como aconteceu com a palma da mão, descobrimos uma força selada bem no fundo de nós e conseguimo-nos levantar e recuperar o sentido da vida, aparentemente perdido na queda.

E assim continuamos a viver, com várias quedas e a libertarmos a força que está bem dentro de nós, vezes sem conta, assim como a mão se regenera vezes sem conta.

Cada vez que nos magoamos, conhecemos melhor a palma da nossa mão, porque a levamos ao limite outra vez e é só no limite que a verdadeira personalidade de alguém vem ao de cima.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Por Raquel Ascenso, 10º Lav

O Poder do entusiasmo


Caído do Céu

Por vezes surge de repente, por vezes chega de fininho… Até há uns tempos não lhe conhecia o nome nem a razão por que razão existia.

Um dia, fez-me uma surpresa e veio fazer-me uma visita. Quando apareceu, não ficou por muito tempo, simplesmente despertou em mim uma tristeza notável quando partiu. Esperei que se anunciasse mas foi em vão. Então ganhei coragem e procurei o seu nome. Era muito alegre e espontâneo, e dava-se a conhecer por … entusiasmo.

Fiquei radiante, fiquei feliz, com um sorriso na cara e, subitamente, com uma enorme vontade de o guardar comigo. O seu poder fascinava-me e estaria a mentir se dissesse que me é indiferente pois a sua força dominou-me e, num ápice, ups, estava rendida. Na verdade, é tão bom quando volta.

Eu mudo, mudo por ele, faz-me querer ultrapassar tudo o que me assusta, tudo o que por pura preguiça me recuso a fazer, é de facto algo genial, mas, ao mesmo tempo, indescritível e inexplicável.

Para alguns é simples e fácil, até mesmo banal, para mim, é raro, difícil e importante.

Ele é ele e só ele. Eu sou eu mas sem ele não sou ninguém.

É preciso descobrir aquilo que nos faz sorrir, por vezes até está à nossa frente, mas passa por nós sem quase o sentirmos.

Ai, mas para nos fazer rir de vontade, ele faz-nos falta, ele tem aquele poder, um poder que é só seu, o poder do entusiasmo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Por Catarina, 10º Glh


Talvez não passemos de animais


Suponho que toda a gente saiba que existe violência no reino animal, dentro da mesma espécie, entre macho e fêmea. Mas parece-me que o mesmo sucede no mundo humano, afinal o Homem também  é um animal e a violência faz parte de si, o pior é que o faz de forma racional. E, como tal, também há uma parte psicológica nisto a que se chama de “violência no namoro”.
No nosso caso, o género dominante também é o masculino. Talvez sintam a necessidade de se provarem como “homens” e “vestir as calças”. Controlo esse que pode começar com um simples “muda de roupa, essa é muito provocante”, até chegar a umas quantas nódoas negras, físicas ou psicológicas, na vítima. Depois, claro, talvez se arrependam, ou talvez apenas queiram continuar a sua obsessão e desculpam-se com palavras que aparentemente lhes parecem lógicas: “É só para teu bem.”, “Sabes que o faço porque te amo.”, “Se te comportares não volta a acontecer.”. Talvez quem esteja a sofrer se sinta confusa ou assustada e deixe andar até poder chegar a casos em que essa cobardia (digo eu) leva à morte.
Mas não querendo discriminar, claro que também acontece o mesmo, embora em muito menor número, em casos em que é o homem que sofre. Voltando à natureza, é o que acontece com o louva-a-deus macho que chega a ser comido pela sua parceira.
Sinto que tenho de abusar da palavra “talvez”, pois não sei realmente o que passa pela cabeça de ambas as partes e não quero parecer demasiado segura a falar de algo que acabo por não saber como é verdadeiramente.
Parece que, no fim, caminharmos em duas ou quatro pernas não nos distingue assim tanto.

Por Gonçalo Bustorff, 10º Act

A vida



A vida é como uma feira popular... existem coisas de que se gosta e coisas de que não se gosta, existem perigos e existem abrigos, existem diversões e até medos mas existem, principalmente, desafios…
 Quando entramos numa feira popular temos a parte dos doces, das barracas dos comes e bebes e dos jogos e então sentimo-nos perdidos sem saber o que comer, o que beber ou até que jogo jogar. É tal e qual a nossa infância onde não existem preocupações e a única coisa que nos interessa é divertirmo-nos, não importa o resto. Queremos comer sempre de tudo e ter sempre aquela bebida que adoramos, que nos deixa com os bigodes brancos.

Depois vem a parte das atracções, onde já é preciso um pouco de responsabilidade para saber onde e no que gastar o dinheiro, mas ignoramos um bocado isso e o que mais queremos é ir ver aquilo, andar no outro e divertirmo-nos ao máximo no que for mais perigoso, o que relembra a nossa juventude onde não nos preocupamos com as responsabilidades, queremos fazer tudo sem preocupações ou restrições. Fazemos tudo como se o mundo acabasse no final do dia, queremos liberdade e diversão e é assim até que escolhemos uma das atracções, aquela que chama sempre a atenção, é a famosa adolescência, com os seus altos e baixos, a alta velocidade que ou nos deixa muito felizes ou muito tristes, ou nos deixa com força e confiança ou manda-nos abaixo. Tudo isso faz-nos crescer mas custa, porque depois de comer tanto e de termos tudo facilitado agora é connosco próprios que contamos, com a nossa força… A verdade é que, depois daquela comida toda na barriga, é difícil não deitar nada cá para fora, é difícil controlar o sofrimento, mas, perto do fim, temos os loopings que nos deixam completamente sem noção de como ou onde estamos e quando aquela volta acaba temos vontade de dar outra mas não podemos.

Queremos experimentar outras coisas e aí define-se a nossa entrada nos vinte, o começo das reflexões e das saudades, da vontade de experimentar coisas novas e para isso temos de contar bem o dinheiro da carteira e fazer as contas para saber em qual diversão podemos andar e qual nos irá dar maior prazer ou satisfação. Vamos andar nos carros de choque onde entramos em confronto com os outros, fugimos e perseguimos, mas sempre acompanhados. Vamos andar no canguru onde subimos lentamente ao ponto mais alto e depois temos uma queda acentuada muito rápida, que nos faz abrir os olhos e pensar “chega!”, temos de definir o futuro, temos de escolher o melhor para nós!

 Com trinta anos e ainda ingénuos, vamos à casa assombrada. Um susto aqui, um grito ali, um casamento acolá e, perto da saída, acontece o maior susto, mas o que mais nos deixa felizes e determinados a fazer a melhor escolha, temos de conseguir amenizar o susto e fazer com que aquele susto tenha o melhor, assim como nós tivemos e desejámos, e aí escolhemos dar uma volta na diversão mais barata e tranquila onde damos voltas e voltas sempre sorridentes e felizes: é o carrossel dos quarenta e cinquenta, aqueles anos constantes onde já não há novidade em nós próprios, só naquele filho que cresceu e que agora é a vez dele de passar pelo que passámos mas não queremos que ele passe pela montanha russa onde nós andámos, não queremos que faça o que fizemos, queremos que defina logo de início o que fazer sem passar por aquelas experiências que nos fizeram perceber o que é a vida.

É assim que são as voltas no carrossel, até que acaba e temos de sair já com os sessenta. É a nossa vez de ver aquele susto a dar as voltas dele no carrossel e assim o libertamos. Enquanto saímos lentamente da feira, cada vez mais cansados, vamos relembrando o que fizemos e o que não fizemos, o que gostaríamos que tivesse sido diferente, até que chegamos ao fim e dizemos adeus àquilo que foi a única coisa que tivemos mesmo nosso, aquilo que ninguém nos podia tirar e dependeu de nós. Aquela foi a nossa vida, passou tão depressa, mas saímos de lá felizes, sem arrependimentos e sabemos que escolhemos o que queríamos…

Agora é deitar e deixar que os próximos façam o melhor para eles que eu já gastei tudo o que tinha…