sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sugestões de leitura - “Viagens de Gulliver”

“Viagens de Gulliver”, Dean Jonathon Swift

Por Pedro Gaspar

A obra inicia-se com o naufrágio do navio onde Lemwel Gulliver, o protagonista da história, sobrevive a um naufrágio, sendo arrastado para uma ilha – Lilliput – que era habitada por seres de pequena estatura, que estão em constante guerra com os habitantes dos países vizinhos devido a futilidades.
Após ter conseguido sair de Lilliput, Gulliver embarca numa nova aventura, que terminará de novo num naufrágio. Desta feita Gulliver conhece Brobdingnag, uma terra de gigantes onde é visível a mediocridade diante a “grandeza” dos habitantes.
Uma vez conseguido fugir de Brobdingnag, Gulliver acaba por chegar à ilha flutuante de Laputa, habitada por magos de elevada inteligência.
Por fim e na sua última viagem, Gulliver encontrou-se com uma raça de cavalas designada por Houyhnhm, possuindo um elevado grau de inteligência e tementes dos Yahoo (uma raça imperfeita de seres humanos). Gulliver vê a humanidade como elementos da raça Yahoo e tem medo e receio do ser humano.
De volta a Inglaterra, e após ter passado por Portugal, Gulliver vai ensinar a todos as virtudes e conhecimentos que aprendeu com os Houyhnhm.

Apreciação crítica

Gostei de ler esta obra e recomendá-la-ia uma vez que faz uma interessante crítica à sociedade entre o final do século XVII e a primeira metade do século XVIII. Para além disto, esta obra permite conhecer um pouco do estilo literário utilizado na época, causando, através do relato de viagens, impacto nos leitores.
A narrativa deste livro é de fácil leitura, no entanto, a crítica política e social está sempre presente, tendo em conta o percurso das viagens realizadas pelo personagem.
Contudo, a fantasia, a graça e o prodigioso espírito de invenção que a obra revela, torna esta obra numa magnífica opção de leitura.
Por fim, com “As Viagens de Gulliver” podemos obter uma lição de alto valor moral, pois esta afirma a sólida energia de um homem que, forçado a suportar calamidades dolorosíssimas e a adaptar-se a cada momento a circunstâncias dificílimas e até agressivas, tudo vence e tudo supera, em atitudes sempre dignas e de excepcional coragem.
Apesar de considerar esta obra como uma excelente leitura, penso que por vezes o autor se tornou muito repetitivo, ao manter sempre as mesmas peripécias do personagem, ainda que em locais diferentes.


Ao ler esta obra apercebi-me da ferocidade da natureza humana. Especialmente quando a personagem principal, Gulliver, viaja para o país dos Houyhnhnms, uma espécie de cavalos inteligentes e civilizados, que ficam muito surpreendidos quando vêem surgir-lhes à frente um yahoo envolto em roupas e capaz de falar. É que, naquela terra, os homens (ou seja, os yahoos) são bestas repelentes, sujas, estúpidas e viciosas, cuja única serventia são as mãos. Os cavalos (Houyhnhnms), pelo contrário, são não só civilizados como desconhecem por completo o conceito de mentira e vivem numa espécie de utopia igualitária.
Em suma, “As Viagens de Gulliver” despertou-me, com instrumentos da fantasia, do fantástico e mesmo, por vezes, da ficção científica, para um ataque sem dó nem piedade a todos os vícios e a todas as pequenas e grandes trafulhices da estrutura social nas Ilhas Britânicas no século XVIII, tão semelhante em tantas coisas à estrutura social actual em toda o mundo.

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